Arroz selvagem de cenoura e bifes de peru dourados









Sempre vivi na cidade, mas lembro-me em criança do meu pai ter uma pequena horta ao pé de casa, tive a sorte de comer legumes biológicos e fruta "verdadeira" durante a minha infância. Adorava passar as tardes depois da escola, na nossa pequena horta a brincar. Tempos depois, esses terrenos cheios de hortas viraram prédios, para tristeza de todos os vizinhos, que por lá cultivavam. Começamos a ir aos mercados e mercearias, mas a diferença no sabor não era tão grande como agora. O meu pai, no entanto, começou a fazer da nossa varanda virada ao sol, um pouco o que eu faço com a minha agora, uma mini horta, com ervas aromáticas e tudo o que ela me consegue dar - MALVADA não deu mirtilos!!! 

Tenho a sorte de os meus sogros terem uma grande horta, apesar de não a cultivarem o ano inteiro, no verão, trago sempre o carro carregado de coisas. Esta receita foi fotografada ainda no mês de agosto, com umas cenouras biológicas de lá, foi engraçado, ver a cara deles quando lhes disse que ia fazer uma receita com a rama da cenoura. 

Para dar um bocadinho de personalidade aos bifes, fiz-lhes um molho bem ao meu gosto, especiarias e mel - perfeição em duas palavras.


Ingredientes: (4 pessoas)
200g de arroz selvagem Oriente rice
1 cebola
2 cenouras com a rama
3 dentes de alho
1/2 colher de chá de coentros em pó
1 mão cheia de salsa fresca
sal, mostarda em grão e pimenta em grão q.b.

4 bifes de perú
1 colher de sopa de mel
1 ou 2 colheres de sopa de água
1/2 colher de chá de açafrão das Índias
1/2 colher de chá de harissa em pó
1/2 colher de chá de mostarda Inglesa em pó
1 colher de chá de mostarda Dijon
sal, mostarda em grão, pimenta em grão q.b.

Comece pelo arroz que é o que leva mais tempo a cozer. Rale as cenouras, pique a rama de uma delas e reserve. Pique a cebola com os alhos e leve ao lume, num tacho com um pouco de azeite. Refogue uns minutos e adicione metade da rama da cenoura, previamente picada. Deixe ao lume uns segundos sem deixar de mexer e junte o arroz e a cenoura ralada. Mexa tudo muito bem e adicione a água (usei 2 vezes/meia a medida do arroz). Deixe levantar fervura e tempere com sal, pimenta, mostarda e os coentros em pó, deixe cozinhar em lume brando e vá mexendo de tempo a tempo, para o arroz não se pegar.


Enquanto o arroz coze, tempere os bifes com um pouco de sal, pimenta e mostarda em grão de ambos os lados.

Numa caçarola prepare o molho para os bifes. Em lume brando, adicione as especiarias, juntamente com o mel e 1 ou 2 colheres de sopa de água. Mexa tudo muito bem e deixe levantar fervura, se vir que o molho está demasiado espesso, junto um pouco mais de água. Vai ficar um molho com uma cor dourada linda e um pequeno travo picante mas com o doce do mel pouco se vai acentuar.

Grelhe os bifes numa grelha e sirva com o molho bem quente por cima.

O arroz sirva com salsa fresca picada por cima e a restante rama da cenoura.


Tagine de batatas, espargos e ervilhas

Ao contrario da maioria das pessoas eu não sou viciada em viagens. Como sabem gosto muito de cozinhar receitas de vários continentes, mas só mesmo cozinhar. Já comentei várias vezes com amigos, que se me oferecessem a possibilidade de dar a volta ao mundo, recusaria. Ou antes, faria uma contra proposta e escolheria uns 5 países onde fazer férias, somente lá, até ao resto da minha vida. 

Claro que gosto de passear e passar férias como todas as pessoas do mundo. Mas não me cativa ir a países só por ir, ou só para dizer que fui, tirar a foto da praxe e depois voltar com um vazio no coração. O mesmo acontece com a musica, sou capaz de ouvir o mesmo álbum, durante um ou dois meses seguidos, sem me fartar.

Esta sou eu, não consigo gostar, só amar! Sou assim, um pouco com tudo na minha vida, inclusive com os países. 

No entanto, lembro-me desde a adolescência de ter uma grande vontade de visitar Marrocos. É aqui ao "lado" e até é um destino em conta. Mas as informações negativas acerca deste país, fizeram-me desistir vezes sem conta. Fui à Tunísia, gostei! Mas achei que faltava mais qualquer coisa. Lá consegui dar a volta ao meu Marmito (que não gosta muito da cultura árabe) e rumámos a Marrocos há dois anos. Escusado será dizer que foi a viagem da minha vida, adorei tudo... tive alguns azares na parte da alimentação, mas é normal e faz parte da aventura. 

Para quem não sabe tagine é o nome do prato gastronómico tradicional em diversos países árabes do norte de África. É também, o nome da panela especial utilizada na sua confecção. Esta resiste a temperaturas elevadas de cozedura e é dotada de uma tampa cónica, concebida de forma que todo o vapor condensado volte para o fundo da panela. Sem a tampa, a base pode ser levada para a mesa para o prato ser servido.

Infelizmente, nunca consegui comprar uma tagine, a vontade era muita mas para além de serem grandes, são muito pesadas para uma mala que só pode trazer vinte e poucos quilos. Acabei sempre por optar em trazer outras coisas que adoro e não se encontram cá à venda, mas a tagine foi ficando na minha lista de compras. 

Também já se conseguem encontrar algumas por cá à venda, mas sempre pensei que com uma panela normal o resultado seria o mesmo. Na verdade fica bom, podem comprovar neste post que fiz o ano passado. Mas cozinhar com uma tagine, tem toda uma magia e foi para mim, foi uma experiência fantástica a repetir.


Hoje, apresento-vos a tagine da Le creuset, não é linda? Estou perdidamente apaixonada, tanto que a tenho em exposição na minha cozinha, em vez de estar dentro do armário junto às restantes panelas cá de casa.

Dificilmente poucos devem ser os amantes de cozinha/foodies, que não conhecem esta marca. Estas panelas são usadas em muitos programas de TV e livros de culinária de chefs conhecidos, são uma perdição. É uma marca super resistente e com peças lindas de morrer e com cores que deixam qualquer um apaixonado.

Nos próximos meses, mostrarei as minhas peças preferidas desta marca. Podem consultar aqui algumas se ficarem curiosos. 

Agora chega de conversa e vamos à receita, que foi retirada deste livro que amo, como já era de esperar.

Ingredientes: (4 pessoas)
2 colheres de sopa de azeite
400 g de batatas pequenas com a pele
1 cebola 
4 dentes de alho
2 talos de aipo
8 espargos
3 colheres de sopa de azeitonas (usei com caroço)
1 colher de chá de gengibre
1 colher de chá de coentros em pó
1/2 colher de chá de Ras el Hanout (ou outra especiaria que goste)
sal q.b.
pimenta e mostarda de moer
250g de ervilhas congeladas
água q.b.
2 colheres de sopa de coentros frescos picados
1/2 preserved lemon (ou sumo+raspa de 1 limão)
1 1/2 de menta picada

Coloque a tagine ou uma panela em lume médio com o azeite, adicione as batatas com a casca e previamente lavadas, a cebola picada, os alhos picados e cozinhe entre 2 a 3 minutos. Junte o aipo, as azeitonas, o preserved lemon (caso não tenha, ignore esta parte) e deixe cozinhar por mais 2 a 3 minutos.


Adicione o gengibre, o coentro em pó, o ras el hanout, o sal, a pimenta e a mostarda de moer e por fim, as ervilhas. Regue com a água natural, suficiente, para cobrir os ingredientes e deixe levantar fervura. Assim que começar a ferver, baixe o lume, tape e deixe cozinhar por 15 minutos ou até os vegetais ficarem tenros. 

Junte os coentros e a menta picados grosseiramente e retire a tampa. Cozinhe por mais 10 minutos ou até o molho reduzir, sem deixar de mexer para que não se pegue ao fundo da tagine.

Se não usou o preserved lemon, adicione  agora o sumo do limão, salpique com mais umas gotas de azeite e sirva.

Pode acompanhar com um couscous, aromatizado ou simples.


Pão de alfarroba e Não-Tella da Mafalda Pinto Leite





Ainda há três semanas falava por aqui que adorava que existisse uma espécie de Bíblia da alimentação saudável, eis que o novo livro da Mafalda Pinto Leite aparece. Para quem a segue nas redes sociais, sabe que uma das grandes preocupações desta chef é a utilização de ingredientes saudáveis nas suas receitas, sempre com um respeito enorme pelos mesmos.

Neste livro, vão encontrar receitas fantásticas e dicas que vão ajudar bastante a quem procura uma alimentação saudável para toda a família. As duas receitas que trago foram feitas no domingo passado, cá por casa adorámos. Levei um pouco para a família, que nem notou a falta de açúcar refinado. 

Eu até podia estar aqui duas horas a escrever sobre o pão de alfarroba, sim, é bom. Façam, que não se vão arrepender. Fica um aroma fantástico na vossa cozinha e um pão muito fofo. Mas o Não-Tella não me saí da cabeça, posso descrever a primeira colherada em uma palavra - DIVINAL. Até me atrevo a dizer que é muito superior ao sabor do super mercado, que já é bem bom.

Eu acabei por deixar alguns vestígios de avelãs a mais, sem querer, mas não me importei nada porque às tantas parece que estamos a comer uma sobremesa e não uma pasta para colocar no pão, percebem-me, não percebem? :) Foi-se em três tempos. Acho que vou fazer desta receita umas belas prendas de Natal. 

Obrigada Mafalda, por este livro e pela simpatia.


Ingredientes pão: (6 a 8 pessoas)
1 pedaço de gengibre
1/2 chávena de tâmaras (sem caroço)
1 1/2 chávena de farinha de trigo
1/2 chávena de aveia
1 colher de chá de canela
1/2 colher de chá de cardomomo (usei do preto)
1/2 colher de chá de bicabornato de soda
3 colheres de sopa de alfarroba
1 ovo, ligeiramente batido
1 chávena de leite vegetal (eu usei iogurte natural)
1/2 colher de chá de vinagre de cidra
1/4 de chávena de azeite ou óleo de coco (eu usei a 2ª hipótese)
1/2 chávena de xarope de ácer (maple syrup)
1 colher de chá de extracto de baunilha

Aqueça o forno a 180º. Forre uma forma de pão ou bolo inglês com papel vegetal. Reserve. Coloque o gengibre e as tâmaras num robô e pique até obter uma pasta. Reserve.

Numa tigela grande misture a farinha, a aveia, as especiarias, a soda e a alfarroba. Numa tigela média misture bem o ovo, o leite, o vinagre, o óleo de coco, o maple syrup e a baunilha. Junte esta mistura à tigela com farinha e adicione a pasta de tâmaras. Incorpore tudo sem mexer de mais (para não tornar o pão massudo).

Deite para a forma previamente preparada e leve ao forno por 30 a 40 minutos ou até estar cozinhado no interior.


Ingredientes Não-Tella: (1 e 3/4 de chávena)
1 1/2 chávena de avelãs torradas sem pele*
1/4 de chávena de cacau ou alfarroba em pó (Usei metade de cada um)
1/4 chávena de adoçante a gosto
1 vegem de baunilha
2/3 de chávena de óleo de coco

Coloque as avelãs num robô e pique até obter migalhas muito finas, quase pó (eu acho que não fiz esta parte muito bem, por isso, deixem bem picadinho). Junte os restantes ingredientes e bata uns bons 5 minutos (ou mais) até obter uma mistura cremosa.
Se quiser uma consistência mais líquida, do tipo "molho", junte mais óleo de coco.




* Para quem como eu, não tinha em casa avelãs sem pele, pode colocar uns minutos numa frigideira anti aderente, e nota logo parte da pele a saltar. Caso deixem pele agarrada, acho que não vai estragar a vossa receita, a minha pelo menos não estragou.

Limonada de amoras e mirtilos



O post de hoje é muito especial para mim, não pela receita em si  (trata-se de uma simples limonada) mas, porque em cinco anos de blog só houve uma outra ocasião em que publiquei uma receita que não era minha. Podem encontrar essa receita aqui, já tem alguns anos e, foi uma criação do meu marido que, das poucas vezes que cozinha, consegue que fique sempre delicioso. 

Hoje a cozinheira em destaque é a minha sobrinha Catarina de 8 anos. 

Antes das férias do verão, estávamos reunidos aqui em casa e para acompanhar este bolo, sugeri-lhe que fizéssemos uma limonada.

Ela, rapidamente foi agarrar numa cadeira e dirigiu-se à bancada, cheia de energia. Disse-lhe a fruta congelada que tinha para ela puder escolher e ajudei-a com as quantidades. O resto ela fez tudo sozinha, até foi buscar as folhas de manjericão à minha varanda.

Sinceramente não pensei em pôr a limonada no blog, mas ela, tanto insistiu que lá acabei por ceder. Foi inclusivé escolher o pano, as tábuas, as palhinhas e este é o resultado final. 


A Catarina é a única sobrinha (menina) que tenho, apesar de ser tia já desde o ano e meio de idade (é o que dá ser a irmã mais nova e que nem era para ter vindo). Os meus sobrinhos eram rapazes e nunca gostei que me chamassem de tia, porque éramos todos praticamente da mesma idade mas, esta menina veio dar uma grande alegria à família pois chegou na altura certa para todos nós. Revejo-me muitas vezes nas suas brincadeiras, pois ela é também completamente fanática pelo imaginário dos vampiros e bruxas, e, ao mesmo tempo adora o cor-de-rosa.

Como eu sei que ela já sabe ler, gostava muito de lhe dizer que é a "víbora" mais fofinha que eu conheço e que espero um dia, daqui a muitos anos, ser eu a beber esta limonada na sua casa.



Ingredientes (1 litro)
1 limão
60g de amoras (usei congeladas)
60g de mirtilos (usei congeladas)
800ml de água fresca
3 colheres de sopa de açúcar de coco
6 folhas de majericão

Colocar na bimby/liquidificadora o limão cortado em 4 partes (com casca), os mirtilos, as amoras  e a água. Pressionar no botão turbo ou na velocidade máxima durante 1 minuto.



Coar tudo com um passador bem fino e colocar numa jarra. Adicionar o açúcar ou adoçante (como preferir), por fim o gelo e as folhas de manjericão.

Levar ao frigorifico até servir e adicionar mais uns cubos de gelo se necessário.

Puré de tomate


Este ano nas férias comi pratos tão simples que me deixaram a pensar, mas porquê que eu em casa nunca me lembrei de fazer isto, porquê? 

Esta "entrada" que pode também servir como acompanhamento é um bom exemplo do que falo. 

No menu do restaurante, que estava na língua de origem, vi uma entrada que me pareceu ser muito boa. Perguntei ao empregado o que levava, logo me disse, batata e tomate (e com as mãos fez um gesto de ser muito bom). Não hesitei e mandei vir, não fosse eu uma "tomate lover". Não sei se era da fome que tinha ou se foi simplicidade da entrada, que ao dar a primeira garfada, lembro-me de dizer ao meu marido - Ai meu Deus, que maravilha! Achei uma perfeição e jamais esquecerei do sabor daquela primeira garfada.

Sou daquelas pessoas que adora provar tudo, não me importo de ir ao prato do meu marido no meio de um restaurante e provar a comida dele (sei que há pessoas que odeiam isso), mas eu cá não me importo que me façam o mesmo. E quando são pratos que desconheço, os primeiros minutos são a decifrar que ingredientes levam é um vicio que tenho desde criança.

Foi o que aconteceu com este prato, ao regressar a Portugal, lembro-me de vir no avião a pensar nas receitas que queria reproduzir cá em casa, esta sem dúvida, tinha de ser a primeira, por ser tão simples e ao mesmo tempo tão reconfortante.

Não sei se a receita está correcta, ou se terá algum ingrediente que eu ao provar na altura não decifrei. Fiz um pouco à minha maneira, mas o sabor até ficou parecido, porque igual, acho que só mesmo lá voltando. Quem sabe um dia :)



Ingredientes: (4 pessoas/entrada)

3 batatas grandes
1 cebola
1 folha de louro
5 dentes de alho
(400g) 1 lata de tomate em pedaços
q colher de sopa de açúcar mascavado
sal de aipo, azeite, pimenta q.b.
10 folhas de manjericão fresco

Numa panela com água coloque, uma folha de louro, uma pitada de sal e um fio de azeite coza as batatas sem a casca.

Leve ao lume uma caçarola/frigideira com um fio de azeite, os 4 dentes de alho partidos e a cebola cortada às rodelas. Salteie até a cebola ficar translúcida e junte o tomate. Se preferir, use tomate fresco, mas tem de lhe tirar previamente a casta e convém que seja bem maduro. Eu usei em lata, porque o que comi no restaurante era de lata e eu queria aproximar ao máximo ao original. Deixe cozinhar uns 8 minutos ou até a água do tomate evaporar e junte o açúcar, o sal, e a pimenta.

Entretanto, depois de cozidas retire do lume as batatas, retire a folha de louro e deixe a escorrer-as num coador durante uns minutos, para que fiquem bem secas.


Coloque o preparado do tomate na bimby/liquidificadora e passe tudo até que fique em liquido. Com ajuda de um esmagador de batatas, esmague grosseiramente as batatas e pouco a pouco adicione o liquido, envolvendo tudo com uma colher de pau. Verifique os temperos e sirva com umas pingas de azeite e pimenta de moer por cima.

Coloque as fatias de pão a torrar e num almofariz coloque 1 dente de alho, as folhas de manjericão frescas e 1 colher de sopa de azeite, pique tudo até se formar uma pasta e depois do pão estar torrado, pincele com a pasta.

Sirva tudo ainda quente como uma entrada com o pão torrado ou acompanhar carne ou peixe, se preferir.