Bolo de maçã e canela

Desde que comecei este blog em 2009, noto uma grande diferença no que toca à venda de produtos saudáveis. Nos últimos 2 anos tem sido um tema muito falado, ora há livros, nutricionistas famosos, blogs, Facebook e Instagram, todos eles com informação sobre o que realmente é bom ou não para a nossa saúde e perder peso de uma maneira saudável. Sou sincera, que há alturas em que não sei para onde me virar, muitas vezes, até sinto dificuldade em perceber o que é mesmo correcto ou até verdadeiro. Já disse isto muitas vezes na brincadeira, mas era bom termos uma espécie de Bíblia, onde cada vez que tivéssemos uma dúvida, bastava consultar e pronto.

Tentamos não comer mal cá por casa, fazemos muitos legumes, muitas saladas (porque adoramos). Nunca fritamos nada (deixamos essas coisas para as idas ao restaurante) e evitamos comprar sumos de pacote, porque na realidade até gostamos mais dos naturais, feitos na hora. Mas nunca conseguiria cortar em certas coisas, o pão por exemplo - ADORO, Também um bolinho aos domingos ou umas bolachas, sejam elas doces ou salgadas... e os meus suspiros/pavlovas/tudo o que leve claras e açúcar, são a minha perdição. Admiro muito quem corte no açúcar ou nos hidratos de carbono e consiga fazer uma alimentação sem grandes exageros. Mas eu, sou uma pecadora por natureza e custa-me muito privar destes pequenos pecados mesmo, que só de vez enquanto.

Comprei este livro por curiosidade, um pouco para perceber como se fazem bolos sem glúten, já o tenho algum tempo e gosto muito desta receita em particular. Se é saudável? Não sei, eu gostei e como o tempo anda assim a "modos" para o castanho/acinzentado/ora chove/ora faz sol. Decidi que era uma boa altura para o partilhar com todos vocês.


Ingredientes:
240g de farinha sem glúten (eu como não tinha usei integral)
31/2 colher de chá de fermento
1 colher de chá de canela
1/2 colher de chá de sal fino
475ml de puré de maçã cozida
120ml de xarope de beterraba/mel ou outro adoçante que goste.
80ml de leite
75 g de arandos secos

Pré aqueça o forno a 180º.

Junte a farinha com o fermento numa taça, adicione o sal, a canela e misture tudo com as mãos. Depois de bem misturado, abra um buraco no meio da massa (onde mais tarde vai colocar os ingredientes líquidos) e reserve.

Numa taça junte o puré de maçã (pode usar sumo de maçã, mas eu como tinha cá muitas maçãs acabei por fazer o puré, guardei parte do puré, para fazer uns iogurtes e o restante foi para o bolo, não usei açúcar). Misture com o xarope de beterraba ou adoçante, o leite e junte aos ingredientes secos pouco a pouco, sem parar de mexer e por fim adicione os arandos secos.

Forre uma forma para bolos de 22/23cm com manteiga e farinha (vai ficar uma mistura muito húmida, no livro até dizem que não é necessário forrar, mas eu como sou teimosa, forrei) e leve ao forno durante 40 minutos, ou até que o teste do palito esteja ok. Caso sinta que o bolo está a queimar um pouco e ainda não está cozido na totalidade, cobre com papel alumínio até cozer e não queimar demasiado a parte de cima.


Que tenham uma boa semana, com ou sem açúcar refinado :)

Receita retirada do livro: The Gluten-Free Baker

Creme de espinafres e gengibre





Sinto que este ano o verão passou-nos ao lado, ontem em Lisboa choveu como num mês de Abril. Mas acreditem que eu até acho uma certa piada este clima tropical. Quando cheguei de férias, tinha as minhas ervas aromáticas meias murchas, esta chuva parece que lhes deu uma nova vida, ainda ontem reparei que estão a crescer cada vez mais. Como diz a minha mãe, o mal de uns é o bem dos outros.

Hoje, trago um creme muito leve que é óptimo para dias assim, que chovem e fazem sol. Tinha comprado uma broa de milho, que acabou por ficar uns dias a mais cá por casa e decidi fazer uns croutons com manjericão e alho e finalizei com um queijo que trouxe das férias para ficar mais cremoso.



Espero que esta semana traga uns raios de sol para alegrar a maioria, caso não aconteça, as minhas ervas aromáticas agradecem.

Ingredientes: 6 pessoas
200g de batata
1 cenoura
1 cebola
2 dentes de alho
1/3 de um talo de aipo fresco
100g de folhas de espinafres
2 colheres de chá de gengibre
azeite q.b.
sal q.b.
4 fatias de broa de milho
5 folhas de manjericão fresco
1 colher de sopa por tigela de queijo Caillé de Brebis (ou queijo fresco)

Numa panela ou na bimby coloque, a cebola, os dentes de alho, o aipo, um fio de azeite e deixe refogar por uns minutos de seguida, adicione as batatas cortadas em cubos, a cenoura, os espinafres e cubra com água. Deixe levantar fervura e cozer bem os alimentos, e só então, adicione o sal, o gengibre (eu usei gengibre seco - porque se aguenta muito bem em casa, pode usar em pó que faz o mesmo efeito. Caso use o gengibre fresco, tenha cuidado que é um pouco mais forte).


Enquanto o creme coze, parta as fatias da broa de milho em pedaços pequenos, e leve ao lume com um fio de azeite, 1 dente de alho partido em pedaços pequenos e as folhas do manjericão frescas e partidas. Deixe saltear e absorver bem o sabor do majericão e do alho. Reserve até servir o creme.


Depois dos legumes cozidos, passe tudo muito bem até ficar um creme aveludado, coloque um fio de azeite e rectifique os temperos, leve mais 5 minutos ao lume e desligue.


Sirva a sopa com os croutons e o queijo, o queijo que eu usei é um queijo fresco de ovelha muito cremoso cremoso, que pode ser substituído por um qualquer queijo fresco/cremoso a gosto.


Risotto de Agrião e queijo de cabra

Tenho esta receita guardada e fotografada há mais de 2 anos, não sei porque não a tinha publicado antes, mas acho que foi acabando por ficar para trás e às tantas já estava esquecida no computador.

Adoro agrião, desde miúda que a minha sopa preferida é a de agrião, adoro em salada e até em bolos. Quando vou à horta dos meus sogros na altura em que há, trago sempre tantos que andamos uns 15 dias a comer agrião a todas as refeição. Esta receita deve ter vindo de uma dessas alturas, confesso que já não me lembro.

No entanto é uma receita que faço muitas vezes, porque fica um risotto com um aroma fantástico e é super rápida. Para quem gostar de manjericão acho que se adicionar umas folhinhas vai ficar muito bom, mas cuidado porque o manjericão é "daqueles" que gosta de sobressair quando é usado em demasiado.

Adicionei queijo de cabra apenas para ser diferente, mas achei que ficou ainda mais cremoso que o habitual, se gostarem podem substituir pelo habitual parmesão.


Ingredientes: (2 pessoas)
200gr de agrião
2 dentes de alho
3 colheres de sopa de azeite
1 litro de caldo (1 cenoura, talos do agrião, 1 cebola, 1 alho)
2 colheres de sopa de vinho branco
2 colheres de sopa de Vaqueiro liquida
1/2 queijo de cabra aromatizado
sal, pimenta e mostarda em grão.

Numa panela coloque a água com 1 cebola, os talos do agrião, 1 cenoura cortada em cubos, 1 dente de alho, sal, pimenta e mostarda em grão) e leve ao lume até ferver e cozer os legumes, depois de ferver deixe em lume brando, enquanto faz o risotto.

Leve as folhas do agrião à 123 ou robot de cozinha, coloque um fio de azeite, o dente de alho e pique muito bem, se vir que fica muito seco junte 1 ou 2 colheres de sopa da água do caldo para ser mais fácil triturar. Retire da maquina e leve ao lume com mais um fio de azeite, durante 5/7 minutos e reserve.


De seguida, comece a fazer o processo do risotto, coloque 1 fio de azeite na panela, o alho e saltei menos de um minuto, coloque o arroz, e uma concha de água do caldo, deixe evaporar e coloque o vinho, deixe este evaporar também e vá colocando concha a concha do caldo até evaporar. Quando começar a ver que o arroz está quase al denti, junte a pasta do agrião para que o arroz acabe de cozer com o gosto do agrião, que para mim é das melhores coisas do mundo :). Tempere, caso seja necessário com mais um pouco de sal, adicione o queijo da cabra para derreter e antes de desligar coloque a manteiga.

Antes de servir, pode juntar mais um pouco de queijo de cabra e uma folha de agrião fresca. Pode usar queijo de cabra normal curado, eu tinha cá um queijo aromatizado mas podem usar do normal.



Sanduíche de pica-pau


O mês de Setembro para mim sempre foi uma espécie de inicio do ano, mesmo anos depois de deixar a escola ainda o sinto. Normalmente tiro sempre férias em Agosto, o que ajuda a fazer uma espécie de "reset" antes que a azafama do trabalho comece. Este "novo" ano começa com algumas mudanças por aqui, porque mudar faz bem à alma e ajuda a seguir em frente com um novo olhar e de preferência a sorrir. 

Gosto muito de comprar livros, aliás gosto muito de comprar tudo o que esta relacionado com comida, mas livros, é viciante. Não sei se é o acto de desfolhar um novo livro e ir à procura da receita ideal, ou se é de os ter todos alinhados, marcados e dobrados prontos para a altura certa em que os tenho de abrir para usar. Gosto, pronto! Mas quando se tem uma colecção razoável de livros de culinária, a escolha começa a ser mais pensada e ponderada antes da compra, existem livros que são pouco criativos e com imagens de cortar a respiração, outros fantásticos, mas com ingredientes que não encontramos com facilidade na zona onde vivemos, outros tão bons que dão vontade de fazer todas as receitas no mesmo dia em que os compramos. Sei que as fotografias não são o mais importante, mas confesso, que para mim (que trabalho com imagens) são o que me leva a comprar a maior parte dos livros, e por vezes, apanho grandes desilusões à conta disso.


Hoje trago uma receita inspirada num livro diferente. Não o desfolhei antes de o comprar, comprei-o pela capa, aqui, pelo chef que adoro, mas principalmente pela temática que é diferente do habitual. Um livro de Sanduíches, algo tão Português e ao mesmo tempo, tão pouco explorado em livros. Foi exactamente por isso que o comprei, é um livro com imagens fantásticas, com receitas simples e outras mais "à chef", acho que é um livro que vale a pena, eu adoro e recomendo.

Lembro-me no lançamento ouvir o chef Hugo Nascimento dizer a quem estava presente, que com este livro, não pretendia que as pessoas fossem seguir todas as receitas à risca, como se um livro de culinária se tratasse. Gostava antes, que o livro fosse uma espécie de incentivo para largarmos o s pratos e criarmos receitas simples, com o que temos dentro do frigorífico. Juntar a isso uma das melhores bases para qualquer refeição - o pão. Já dizia o meu pai, mesa sem pão não é mesa.


Por isso, aqui vai um pica-pau que costumo fazer muito cá por casa aos domingos, acompanho sempre com pedaços de pão, para molhar naquele molho de ir aos ceús. Mas desta vez, foi a carne que se deixou levar por uma grande fatia de pão.

Uma boa semana para todos e um bom regresso a quem como eu, já gozou as merecidas férias. 

Ingredientes: (2 pessoas)
5 bifes (eu usei de porco)
1/2 cebola
5 dentes de alho
3 colheres de sopa de pickles
1 folha de louro
3 colheres de sopa de cerveja
2 colheres de chá de mostarda Dijon
azeite q.b.
sal, pimenta de moer, mostarda de moer q.b.
5 talos de tomilho limão.
1 baguete de pão malte

Comece por partir os bifes em tiras fininhas e tempere com sal, pimenta e mostarda em grão, umas folhas de tomilho frescas e reserve. Pique os dentes de alho em pedaços bem pequenos, e leve (metade da quantidade) ao lume com a folha de louro, a cebola picada e o azeite, numa frigideira anti-aderente. Deixe saltear uns minutos e adicione a carne, em lume médio saltei a carne mais uns minutos e adicione a cerveja, deixe cozinhar (sem parar de mexer) e por fim, adicione a mostarda e incorpore muito bem aos bifes. Não deixe cozinhar demasiado a carne, caso sejam bifes de vaca cozinhe durante menos tempo e caso uso os dois tipos, adicione a de vaca em ultimo lugar. Um minuto antes de desligar, adicione os pickles partidos em pedaços pequenos, o alho e as folhas de tomilho frescas.

Sirva numa baguete e com uma salada a gosto.



Chá fresco de lemongrass e pêssego



Desde que plantei os talos do lemongrass num vaso da minha varanda para ver se "dava", tenho nada mais nada menos do que um "matagal" em casa. Acreditem, que dá-se tão bem! Cortei estas folhas e passados dois dias já tinha novas a crescer, quem tiver dicas para o que fazer com tanta folha, pode deixar aqui, juro que está fora de controle. Nem quero imaginar quando chegar depois das férias.



Enquanto o calor aperta, deixo uma sugestão bem fresca de um chá com uns dos meus pêssegos preferidos e as famosas folhas do lemongrass da margem sul :) Bom fim de semana.

Ingredientes: (1 litro)
4 folhas de lemongrass
2 pêssegos paraguaios
1 litro de água
2 colheres de xarope de beterraba ou mel

Fazer a infusão com as folhas de lemongrass e 500ml de água a ferver, deixar arrefecer por completo e se tiver tempo, coloque a infusão no frigorífico para arrefecer mais rapidamente.



Numa liquidificadora / Bimby coloque os pêssegos, sem caroço,  com a casca e os restantes 500ml de água (para ficar bem fresco use água fria). Passe muito bem os pêssegos, junte a esse néctar o chá previamente arrefecido e passe durante mais uns 20 segundos. Coloquei chá numa jarra, adicione o açúcar a gosto, eu usei xarope de beterraba, mas podem usar o que quiserem e por fim decorrei com mais umas fatias de pêssego e gelo.



Viva ao verão e às bebidas frescas.